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A influência do aquecimento global na prática esportiva


Os esportes já sentem os efeitos do aumento da temperatura do planeta, a ponto de algumas estações de esqui improvisarem com neve artificial para não perder a temporada. Mas não é só na neve que os atletas vêm sentindo os efeitos de alterações climáticas. Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) da ONU, se a emissão de gases de efeito estufa não diminuir, a temperatura média do planeta vai subir 4oC até 2100, por isso a preocupação em relação aos reflexos alarmantes nas cidades, nos hábitos e nas paisagens e as previsões pessimistas para o futuro.

Obviamente, isso se reflete também na prática esportiva. As alterações afetarão também o cenário dos esportes: tanto nas condições para a prática, quanto no organismo dos atletas, pois com um clima incerto e alterado, as provas terão de ser canceladas ou adiadas. Os atletas expostos ao sol e às variações de temperatura sofrerão queda na performance.

Mais poluição, calor, poeira, excesso ou escassez de chuvas, maior amplitude térmica (diminuição das temperaturas mínimas e aumento das máximas), serão resultados do aquecimento global. Os dias muito quentes e as noites muito frias causarão desconforto térmico que favorece o aparecimento de doenças respiratórias. Com isso, atividades físicas e trabalhos braçais serão feitos à noite ou jornadas de trabalhos serão interrompidas por conta do calor.

Para amenizar o calor, as provas e treinos de corrida e bicicleta, por exemplo, terão de ser transferidos para a noite com a intenção de impedir problemas de saúde nos participantes. Nos esportes de inverno, haverá cancelamento e adiamento de provas, uso de neve artificial e dificuldade de esquiar e deslizar por falta de neve fofa. Nos esportes de aventura, se houver secas e perdas de ecossistemas, as provas terão um cenário de vegetação desmatada, redução ou elevação dos níveis de água nos rios, alterações bruscas de temperatura entre o dia e a noite.

Conforme aumenta a emissão de gases, com as queimadas e forte industrialização, por exemplo, aumenta a temperatura. Outro alerta é para o fenômeno El Nino, o aquecimento de águas do Pacífico Sul, que vai se somar ao aquecimento gerado pelo efeito estufa, assim, as temperaturas tendem a ficar mais elevadas.

Outra preocupação aos praticantes de atividade física é a camada de ozônio, que já se encontra bastante alterada devido à poluição e conseqüente ao grande número de gás carbônico liberado. Sem a proteção necessária desta camada, a exposição solar parece está relacionada com os altos índices de câncer de pele.

Diante das alterações ambientais já verificadas (e sentidas), observe os efeitos da prática de atividade física em temperaturas elevadas:

Sem hidratação adequada, ocorre a perda da coordenação motora e do raciocínio, devido à desidratação das células do sistema nervoso;

Possibilidade de desenvolver pterígio, camada de gordura que surge sobre a córnea que prejudica a visão, catarata e conjuntivite, causadas pela exposição excessiva à luz solar, clima seco e quente com umidade relativa do ar abaixo de 20%;

Pressão alta, queda do desempenho, mal-estar, vertigens e convulsão, todas ocasionadas pela sudorese excessiva, com diminuição do fluxo sanguíneo, que levam a um descompasso cardíaco e um desequilíbrio eletrolítico. Para que isso não ocorra deve-se evitar treinar nas horas mais quentes do dia, entre 11h e 16h e tomar água durante a prática esportiva, atitudes que também previnem o aumento do número de lesões musculares, microtraumas e fadiga;

Bolhas nos pés, assaduras, ressecamento e envelhecimento precoce da pele, micose e queimaduras do sol. Para amenizar esses acometimentos, existem atualmente meias e roupas tecnológicas com tramas que não retém o suor; vaselina para evitar atritos nos mamilos e entre as pernas; sprays que retiram a umidade dos tênis e filtro solar.
Se alterações implicarem em estações muito mais rigorosas, as ondas de frio também serão freqüentes. Nesse caso, o organismo também vai sofrer:

Maior incidência de doenças respiratórias, além de mais irritação e risco de contágios de inflamações oculares. Pois, devido ao frio, o clima tende a ser mais seco, o que torna a concentração de poluentes ainda maior. Devemos evitar treinar em dias muitos secos e em horários de tráfego intenso de veículos. Pela manhã, antes das 8 horas, é considerado o melhor horário para a prática de exercícios, pois durante a noite os gases e a poeira dispersam;

Diminuição da irrigação sanguínea em algumas partes do corpo causa cãibras, além das dores articulares, devido à demora para o tecido ósseo ser irrigado e lubrificado, conseqüências da vasoconstrição (que também causa dores de cabeça), para a retenção do calor corporal. Investir em aquecimento e alongamento antes e após os exercícios estimula a circulação nos músculos e articulações e podem evitar esses acometimentos;

Hidratar a pele com cremes que ajudam a reter água e impedem a desidratação, também é bastante importante no frio, pois ela tende a ficar seca.

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