Cultura Tenística – Parte I


O tênis é um esporte diferenciado com regras diferenciadas. Normalmente, até no profissional (ex: qualy de Future), não há árbitro em quadra, pois existe um conceito que o tênis é praticado por pessoas educadas e que respeitam as regras. Outros fatores fazem parte do que chamo de cultura tenística, como não bater palma no erro do adversário, fazer silencio durante os pontos e ter um comportamento exemplar dentro e fora de quadra.

Conforme o passar dos anos, notamos que a “Cultura Tenística” está se perdendo com a nova geração, vejamos alguns sintomas:

- Comemorar no erro do adversário: além de treinador sou organizador de torneios e presencio em muitas ocasiões a torcida ou o próprio jogador comemorar, por exemplo, a dupla falta do adversário;
- Pais: perdi as contas de presenciar pais se intrometendo nos jogos dos filhos;
- Bater paredão: compare a quantidade de vezes que um tenista “old school” bateu bola no paredão com a geração atual;
- Pular corda: muitos nem sabem pular de maneira coordenada;
- Respeito ao professor/treinador: a molecada de hoje falam com seus tutores como se fossem somente amigos. Isso se reflete também nas escolas, cursos, relação com os pais, família e outras atividades;
- Uniforme: já vi tenista jogando campeonato brasileiro com tênis de corrida, não preciso falar mais nada;
- Nomes dos golpes e jogadas: pergunte para um tenista da nova geração o que é um inside-in. Pouquíssimos saberão responder;
- Nomes dos tenistas profissionais: apenas os mais apaixonados sabem, mas a grande maioria dos alunos iniciantes lembra apenas de Guga, Nadal e Federer;
- Nomes das lendas do tênis: a nova geração sabe quem é Maria Esther Bueno, John Mcenroe, Jimmy Connors e Arthur Ashe?
- Respeito ao adversário e colegas de treino: Hoje, é muito comum escutar palavrões e provocações. A quadra de tênis virou um campo de futebol, refletindo até pelo fato de muitos tenistas cuspirem na quadra, lembrando muito jogadores de futebol;
- Material: Tubo de bolas na raqueteira virou artigo raro, além de camiseta reserva, toalha, entre outros;

Estou parecendo um ex-tenista saudosista, mas a comparação que estou fazendo é de mudanças de menos de 10 anos. Em minha opinião, são diversos fatores que levam a isso, sócio-culturais, falta de cobertura da mídia aberta, profissionais da área, educação, entre outros. Em certo ponto as afirmações refletem um pessimismo, mas isso é uma miopia, já que alertando para os problemas estou na verdade sendo um otimista, sugerindo mudanças enquanto há tempo. Acho que é hora de voltarmos às origens e resgatar um pouco da nossa “Cultura Tenística”. Vocês me ajudam?

Mandem informações para serem colocadas na “Cultura Tenística – Parte II” através do email rogerio@raquetesbrasil.com.br

Boas Raquetadas!!!

 

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